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09.06.21

ÁLBUM DA SEMANA #26: JÓNATAS PIRES - TERRA PROMETIDA


Tiago Ferreira

“Terra Prometida” é o nome do álbum de estreia a solo de Jónatas Pires. Este álbum alberga em si muito do espírito que as 11 canções que o integram, transportam. Passada que está uma década desde a explosão do seu grupo de origem, “Os Pontos Negros”, Jónatas dá seguimento ao espaço entretanto criado com o projecto “Tudo É Vaidade” e afirma-se como escritor de canções.

 

Formado na audição dos mais brilhantes cantautores e com uma abordagem poética a um universo pessoal que a própria vida moldou, Jónatas Pires tem em “Terra Prometida” uma colecção de histórias assentes na verdade, tal e qual nos habituámos a classificar as (verdadeiras) canções. Com os temas “Eu Só Preciso” e “Terra Prometida”, os singles de avanço a afirmarem-se no airplay das rádios nacionais, a descoberta das restantes canções que compõem o disco promete uma jornada enriquecedora ao ouvinte – mesmo não pretendendo cair no erro de primário de destacar temas, é inevitável ter em “Mesa Posta”, “Primavera”, “Meus Olhos Descansam”, “Fogo Posto” ou em “Rosto Negro”, âncoras do discurso artístico de Jónatas Pires e que se arriscam figurar no cancioneiro da música popular produzida em Portugal.

 

 

Nas palavras de Jónatas Pires, "Um poema antigo diz-nos que «os que semeiam com lágrimas hão de colher com alegria», ou seja, aqueles que no meio do desespero insistem em lançar a semente à terra, que saem das suas casas com um peso no peito, mas teimam em fazê-lo, no regresso voltarão com a alegria a transbordar-lhes dos braços. E a Terra Prometida é um país de lágrimas. As melhores canções são as que apontam caminhos deixando sempre margem para chegarmos ao destino por um itinerário diferente. Se nos mostrassem como lá chegar, seriam instrumentos de uma tecnocracia autoritária que tanto nos usa como despreza. Por isso, considero o “Terra Prometida” um disco para peregrinos. Quem descobriu que as ruínas do passado não têm de ser os alicerces do futuro. Que compreender a saudade, a distância, a impotência, o falhanço, a esterilidade da terra em que vivemos, que somos, é a semente para o renascer da vida nos lugares onde até quem acredita na vida extraterrestre acha impossível algo voltar a nascer. Entre as várias frases que roubei em homenagem a outros autores e poetas, destaco a de Machado de Assis. Quincas Borba, doente, contemplou a cara magra e o olhar febril com que descobria os subúrbios da morte. “Terra Prometida” é o lugar disponível para todos os cansados de vaguear pelos subúrbios da vida. Os que carregam o peso das lágrimas com a esperança de poder vir a carregar o peso da alegria. Os que ficam sem resposta quando chamam alguém pelo nome, mas continuam a deixar a mesa posta antes de ir dormir. Enfim, para cada um de nós num qualquer momento. Esta é a Terra Prometida. Tentei apontar para ela, mas o caminho é de quem a ouvir chamar. Nunca foi minha. Agora é vossa.

 

Com produção de Silas Ferreira, cúmplice de Jónatas desde Os Pontos Negros, “Terra Prometida” contou com a supervisão técnica de João Eleutério nas sessões realizadas entre o Estúdio Vale de Lobos e o Tabaqueira Estúdio. A masterização ficou a cargo do “mestre” Nelson Carvalho. Em termos de participações artísticas, a lista de colaborações é extensa e na sua maioria anónima, ainda que seja possível reconhecer os nomes de Selma Uamusse (“Falsa Partida”), Samuel Úria (“Terra Prometida”) ou Manuel Palha (“O Padeiro de Portalegre”). Ao nível fotográfico, Vera Marmelo foi a eleita de Jónatas Pires para sessões madrugadoras entre a cidade de Lisboa e a margem sul do Rio Tejo inclusive a obrigarem a pés dentro de água.

 

Isto é “Terra Prometida”.

 

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