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MUSICPORTUGAL

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19 de Junho, 2018

Valete - Samuel Mira (Prod. Baghira & Dr Neo Cortex)

No meio da chuva, foi lá que te vi, foi lá que te ouvi, foi lá que te vi (x2)

A chuva em Chelas marcou o dia simbólico

Águas a cair deram um festival sinfónico

Entre o sol e a chuva que faziam o seu imbróglio

Conheci-te melancólico, olhar insólito

Não me calava enquanto tu mal falavas

Eras de muitos olhares e poucas palavras

Preso no silêncio como o poeta na praia

Só te sentias livre entre vinis de Tim Maia

Entre os cantos subtis de Billie Holiday

Entre a matriz do Soul triste de Marvin Gaye

Vi-te a germinar ideias matinais

E a transformá-las em sonho e melodias celestiais

Melodias de representação messiânica

Que levitaram o povo como meditação xamânica

Sinatra, deixavas todos siderados

quando assinavas o estilo, fazendo ciladas com sílabas

Lembro me quando o teu mundo desfaleceu

Naquela madrugada em que o mano Snake morreu

Nunca foste de exteriorizar o que tens dentro

Nunca foste de divulgar o sofrimento

Tanta gente a querer saber como é que estavas

Tu respondias dizias sempre que estavas bem

Mas eu notava como tu definhavas

E vi crescer essa angústia que te tornava refém

Nos teus olhos vi-te escuro, vi-te amórfico

Vi-te frágil, desalentado, vi-te mórbido

Era a vida levar o teu lado dócil

Hoje eu sei o que é perder alguém tão próximo

Conheço bem esses dias de escuridão

A colisão entre a dor e a solidão

Conheço bem esses dias que o caos convoca

Conheço bem esses dias de Johnny Walker

Vida tornou-se morteira

Mas soubeste fazer da tua musica uma trincheira

Foi dessa dor que saíram as melhores batidas

Dessa dor saíram as rimas mais sofridas

Rimas de paixão e desapego

Rimas de um homem que vive no desassossego

Por isso tantas relações tentadas

Foram tantas mulheres, tantas relações falhadas

Poucas entendem esse espírito heterogéneo

Poucas entendem as inquietações dum génio

Inquietações de um ser minucioso

Minúcia que te deixou com esse estatuto monstruoso

MC’s entre holofotes e damas

Vendados, embebedados com 15 minutos de fama

Perdem a resistência quando chegam as barreiras

Não sabem com que valências é que se faz uma carreira

Hoje inflamados como um faraó

Amanha serão sombras, serão cinzas, serão pó

Fornada de Mc’s que hoje vivem por nada

Perdidos deviam estudar, inalar a tua jornada

20 anos de devoção

20 anos de esforço, luta e obstinação

20 anos de fé, resistência e persistência

20 anos de precisão, rigor e excelência

Vê-os fascinados com a execução

Vê-os a contemplar cada instrumental que se desdobra

E a sedução dos versos na tua locução

1000 obrigados irmão por toda a tua obra

 

 

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